As "distrações" da realidade

Hoje vivemos em mundo tão confuso e polarizado, diverso e plural. A todo momento nos deparamos com as contradições ou com os contrários. São as chamadas “distrações” que chocam nossa posição de seguidores de Jesus Cristo, que dificultam nossa busca por mais clareza e equilíbrio.

1. As batalhas ideológicas no mundo da Política; esquerda versus direita; na Religião: diversidade de cultos e seitas, igrejas e denominações; no catolicismo os diferentes posicionamentos contra ou a favor do papa, de determinada postura pastoral ou movimento eclesial.

2. O perfeccionismo narcisista – A luta do ser humano por um lugar de destaque, muitas vezes ocupando o lugar de Deus. A valorização das aparências externas; a rigorosa exigência de perfeição.

3. Os entretenimentos – cinema, internet, redes sociais. As redes sociais podem nos dividir, diminuir e desanimar, constituindo um anestésico para a fuga da realidade.

4. A distração eclesial – desconexão e fuga da fé profunda; eclesialidade de superficialidade; encanto pelos milagres, busca pelo extraordinário; acentuada valorização dos grupos eclesiais. 

5. Informações em excesso nos variados meios de comunicação; dificuldade para encontrar a verdade com abundância das perigosas fake news; presença de recortes (vídeo e áudio) duvidosos.

6. Estilos de vida que vão na contramão da consagração; diminuição do sentido de pertença; superficialidade na vida dos consagrados.

Afirmou o Pe. Juliano Ribeiro (da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim-ES Teólogo, Mestre pelo Boston College e Doutor pela FAJE, pároco de Alegre-ES), “que nós católicos, temos uma posição bem clara em relação à vida humana. Nós não somos a favor do aborto, em hipótese alguma, nós não podemos concordar com a ideologia de gênero, nós não podemos aceitar a teoria do Estado mínimo, o liberalismo econômico, a depredação dos recursos naturais. Nós temos uma doutrina que está no meio destes dois extremos.” “Virtus in médium est”, disse Aristóteles. Ele acreditava que a virtude está no meio, na média ponderada dos fatos.  

A Declaração “Dignitas infinita” do Dicastério para a Doutrina da Fé, publicada por ocasião dos 75 anos da Declaração dos Direitos Humanos, afirma que “todo ser humano tem direito a viver com dignidade e a desenvolver-se integralmente e nenhum país pode negar tal direito fundamental. Cada um o possui, mesmo se é pouco eficiente, mesmo se nasceu ou cresceu com limitações; de fato, isso não diminui a sua imensa dignidade como pessoa humana, que não se funda sobre as circunstâncias, mas sobre o valor do seu ser. Quando este princípio elementar não é salvaguardado, não existe futuro nem para a fraternidade, nem para a sobrevivência da humanidade”, n. 33).

Segundo o Concílio Vaticano II, é preciso reconhecer que se opõe à dignidade humana “tudo aquilo que é contrário à vida mesma, como toda espécie de homicídio, o genocídio, o aborto, a eutanásia e o suicídio voluntário». Atenta ainda contra a nossa dignidade «tudo aquilo que viola a integridade da pessoa humana, como as mutilações, as torturas infligidas ao corpo e à mente, as constrições psicológicas». Enfim, «tudo aquilo que ofende a dignidade humana, como as condições de vida sub-humana, os encarceramentos arbitrários, as deportações, a escravidão, a prostituição, o comércio de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho com as quais os trabalhadores são tratados como simples instrumentos de lucro e não como pessoas livres e responsáveis” (n. 34).